Era do Gelo 3

Ice Age 3: Dawn of the Dinossaurs.(2009) Dir: Carlos Saldanha. Vozes nacionais: Tadeu Melo, Diogo Vilela, Claudia Jimenez, Marcio Gárcia; 89 min.

Quem acompanha o blog sabe da minha posição sobre filmes de animação: existem as obras-primas da Pixar e os filmes das outras produtoras. Não que os outros sejam ruins – mas sempre que eu vejo um deles, a impressão que eu tenho é de estar assistindo a um jogo da segunda divisão.

Eu nunca fui o maior fã de Era do Gelo. Sempre achei um filme divertido aqui e ali, com uns personagens engraçados, mas com um roteiro essencialmente simples e previsível. O terceiro filme não é diferente: Sid, a preguiça, descobre ovos de dinossauros e, sentindo-se sozinho, resolve adota-los, até que mamãe dinossauro surja e arraste os filhos e a preguiça para uma terra subterrânea onde os dinossauros ainda existem. Sobra para o casal Manny e Elle (que está grávida), além de Diego, em crise de idade, resgatar o amigo.

Os momentos mais inspirados de todos os filmes Era do Gelo são aqueles que ecoam um seriado de dinossauros, a genial Família Dinossauros, com suas piadas politicamente incorretas e nonsense, principalmente através de Sid, de longe o personagem mais engraçado, ainda mais com a dublagem de Tadeu Mello aqui no Brasil. Era do Gelo pode não ser uma trilogia brilhante, mas é competente e diverte o bastante para dar vontade de assistir uma seqüência.

Crepúsculo


Acho que a pior coisa que pode acontecer para um filme é conseguir ser chato. Porque mesmo que seja ruim, ele ainda pode te entreter por um tempinho, e no final, você não vai sentir que perdeu tempo da sua vida, apenas que não foram horas muito bem gastas. A crítica de hoje, especial para o Mês do Lixo, é sobre o fenômeno adolescente Crepúsculo, e as duas horas da minha vida que eu acabei de perder.

Porque Crepúsculo é um filme chato e ruim ao mesmo tempo. Para começar, a trama é absolutamente arrastada: são duas horas que passam como cinco ou seis, pela quantidade de planos aéreos de floresta e olhares apaixonados do casalzinho protagonista. Mas isso é só para aumentar a aflição: os problemas de Crepúsculo são ainda maiores.

Para começar, o roteiro sobre a pobre menina deslocada que conhece o vampiro adolescente prima pela obviedade: eles não podem ficar juntos e bla bla bla – e ficam juntos no final. O que leva a isso, porém, é uma trama cheia de furos, que ignora toda a mitologia existente sobre vampiros (uma das cenas mostra um deles num lugar cheio de espelhos e, pasmem, com reflexo em todos eles), com um ato final ridículo de tão incoerente, quando Bella, a mocinha, começa a ser perseguida por um vampiro malvado, como se ela fosse a última fêmea do planeta Terra. A relação homem x mulher, aliás, é o pano de fundo do romance, que em vários momentos parece ter sido escrito pela Liga das Senhoras Cristãs: o desejo sexual do vampiro – disfarçado de desejo pelo sangue – deve ser evitado como pecado, e eu estou para ver adolescentes mais comportadinhos do que aqueles da escola da protagonista (numa cena, na praia, eles passam um saquinho de doces um para o outro!)

Não bastasse isso, o filme ainda tem efeitos especiais capengas, praticamente os mesmos dos mutantes da Record (com direito à ridícula cena do beisebol) e um trabalho de maquiagem risível: tudo bem que os vampiros são pálidos, mas há momentos em que eles estão tão brancos que mais parecem o Coringa de Cavaleiros das Trevas.

Por fim, é digna de nota a atuação amadora de Robert Pattison, que sinceramente é uma das piores que eu já vi: ele alterna entre olhares perdidos de meditação e expressões de delírio sexual, sem necessariamente acertar o momento certo para as duas.

Chato e ruim. Não tem combinação pior.

Trama Internacional

The International (2009). Direção: Tom Tykwer. Com Clive Owen, Naomi Watts, Armin Mueller-Stahl, Ulrich Thomsen; 105min.


Clive Owen é um sujeito de um personagem só: o tipo durão e amargurado que tem que proteger alguém (Filhos da Esperança e Mandando Bala), ou só um tipo durão e amargurado (Closer), ou um tipo durão e amargurado que está envolvido em uma grande conspiração (Duplicidade e, agora, Trama Internacional). Eu acho ele ótimo em todos os papéis, e até hoje não me arrependi de nenhum filme.

Em Trama Internacional, Owen é um agente da Interpol obcecado por acabar com um grande esquema de venda de armas organizado por um banco europeu gigante, com direito a uma ajudinha de Naomi Watts, num filme bastante adulto, sem frescuras digitais e soluções mirabolantes, em que uma investigação é feita com pistas de verdade, não com computadores ultra-modernos.

E enquanto o plano da ação o filme não fica devendo – o tiroteio no museu em Nova York é para arregalar os olhos – o enredo consegue ser bastante sutil na conclusão, que fica muito longe de ser otimista. E desde que continue envolvido em projetos inteligentes como esse, Clive Owen pode fazer a mesma cara todas as vezes que quiser.


Transformers: A Vingança dos Derrotados

Tranformers: Revenge of the fallen (2009). Dir: Michael Bay. Com Shia Labeouf, Megan Fox, John Torturro. 150min.

Transformers é um exemplo ótimo do cinemão-pipoca-imbecil que os americanos sabem fazer como ninguém: efeitos especiais deslumbrantes, momentos cômicos bacanas e um roteiro cheio de furos – que resultam num filme divertido. Eu posso até dizer que Transformers é o Independence Day dessa década.

A continuação de Transformers faz o que se espera dela: traz mais Autobots e Decepticons saindo no braço, uma trama ainda maism metida à épica, um John Torturro ainda mais demente, Megan Fox ainda mais gostosa e tudo o que puder ser aumentado do primeiro filme. Claro que esse exagero todo enche o saco vez por outra, principalmente a obsessão que Michael Bay tem por cenas de aviões decolando e soldados se posicionando para atirar, além da overdose de explosões para todos os cantos que se olha.

Muita gente crítica Transformers e filmes do gênero dizendo não ser possível essa história de “desligue seu cérebro e relaxa”. Eu discordo – acho mesmo que há entretenimento para todos os gostos, e se eu paguei meu ingresso para ver robôs gigantes se socando, eu sabia o que estava fazendo. Como eu disse antes, apesar dos furos no roteiro (e nem vale a pena citar um por um), Transformers : a vingança dos derrotados é divertido, bem diferente de outros filmes problemáticos dessa temporada, como Wolverine ou Exterminador 4, que além de incoerentes são chatos para caramba.

A megalomania de Michael Bay faz Transformers 2 um filme razoavelmente inferior ao primeiro e, no final, você não se sente lá muito interessado numa possível seqüência. Mas vale a pena. (E eu só queria dizer, para encerrar, que a Megan Fox tirou a Scarlett Johansson do posto de “mulher que me distrai de ver o filme)

A mulher invisível

A mulher invisivel (2009). Dir: Cláudio Torres. Com Selton Mello, Luana Piovani, Vladmir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torrres. 105min.

Mesmo com toda a super-exposição, existe uma coisa sobre Selton Mello que me agrada bastante: ele largou mão da televisão e se tornou um ator de cinema. Logo, um filme em que ele esteja envolvido me dá a tranqüilidade de que não será só um amontoado de atores de novela se matando para fazer uma ponta, e que o roteiro será minimante decente.

A Mulher Invisível é uma surpresa bacana. Claro que a idéia de um personagem que imagina outro é do tempo do rascunho da Bíblia, mas um clichê bem usado é sempre divertido. No filme, Selton Mello é abandonado pela mulher e, depois de meses deprimido em casa, recebe a visita de uma nova vizinha, Amanda, que é a realização de todas as vontades masculinas. Enquanto isso, ao lado, a outra vizinha, recém-viúva, tenta encontrar uma boa desculpa para falar com o personagem de Selton.

Além da interpretação engraçada de Selton Mello (e do elenco de apoio, principalmente de Fernanda Torres, ainda que Luana Piovani seja só bonita – e já nem tanto), a boa notícia é que, na metade do filme, acontece o esperado: o sujeito se toca de que Amanda é só uma alucinação sua, e então surge todo um novo arco na trama, ainda mais interessante do que o primeiro. Mesmo com jeitão de comédia romântica, o filme se permite ser um bocado inteligente uma hora ou outra, principalmente quando Selton precisa entender o seu problema.

Recomendado para quem está sempre idealizando a companhia perfeita – e para quem quer ter argumentos para defender o cinema nacional.




Exterminador do Futuro: a Salvação

Terminator: Salvation (2009). Dir: McG. Com Christian Bale, Sam Worthington, Helena Bonhan Carten, Anton Yelchin. 115min.

Para mim, o único ponto positivo em Exterminador do Futuro 3 é a ousadia do final, em que as bombas atômicas são ativadas pela Skynet, consumando o início da ocupação do planeta pelas máquinas. De resto, o filme é somente um repeteco da segundo Exterminador, quando o T-800 do Schwarza vem proteger John Connor de um exterminador enviado para mata-lo.

A idéia de mostrar o futuro apocalíptico da série no quarto Exterminador me parecia bastante interessante, mas é com bastante incomodo que eu afirmo que, no fim das contas, Salvação consegue ser ainda mais fraco e problemático do que Rebelião das Máquinas.

Motivos para isso não faltam: o John Connor de Christian Bale não tem um pingo de carisma e só presta para dar ordens a cada dois minutos, além de jamais ser explicado como ele chegou a “líder da Resistência” (o que, aliás, ele nem é). O outro personagem central, Marcus Wright, é um foco de problemas: afinal, o espectador sabe que ele é um humano com implantes das máquinas; ele também sabe disso; a Skynet sabe disso – só quem não sabe é John Connor, e lá se vai mais de meia hora do filme só para esse conflito besta.

O problemão mesmo é notar como, no final, Salvação roda roda e não chega a lugar nenhum. O tal “plano” para o fim da guerra se revela um blefe, mas devido a uma cena de luta aqui e outra ali – com direito ao rosto do Schwarza implantado num sujeito – a sede da Skynet é destruída. Acontece que, dentro do prédio, estavam sendo fabricados os modelos T-800, ou seja, os exterminadores enviados no primeiro filme. Isso significa que a Skynet continua a existir mesmo depois do ataque – e então, para o roteiro não cometer um furo desses, o filme termina com uma frase patética de Connor: “A guerra ainda continua”, ou “Nós apenas cozinhamos vocês por duas horas”.

Os efeitos especiais podem até ser bonitinhos, mas o filme é bem ordinário.